A Geopolítica mundial de produção industrial, não será mais a mesma após o Coronavírus

A premissa do lucro move o mundo. É a cenoura atrás da qual o coelho corre. Lucro é a cenoura do coelho-homem. A humanidade pauta seus interesses a partir dessa cenoura.

Levar toda a indústria mundial para a China é uma forma de não sujar nossos quintais e mais, tirar proveito de uma mão de obra barata. Tem sido a lógica do mundo, para buscar o lucro a qualquer preço.

Nossa indústria siderúrgica foi para o ralo, com a nossa abertura comercial para a China. Não foi a única. A China entrou no Brasil, após 1995, com o aço que produz. Mais barato, em função de escala e mão de obra competitiva,  não deixou espaço para nossa produção interna. A indústria de aço demanda volumes para ser competitiva e a nossa ficou sem volumes adequados. Está viva por tenacidade.

Mas a vida também é movida por conceitos. Tornar o lucro como premissa basilar, tem consequências.  Com a crise do Covid-19,  a seguinte questão veio à tona: “as nações do planeta podem confiar a uma só nação, o monopólio de abastecer as demais, baseado só no princípio do preço baixo”?

Estava pensando neste tema, em 24.3.20 e iria escrever algo sobre isso. Me senti teórico demais para levantar a bola. Entretanto, na semana passada, a bola quicou na minha frente; o sequestro de respiradores mecânicos pelos Estados Unidos, esfregando dólar no nariz da China, que interrompeu embarques dessas máquinas, já em viagem para outros destinos, que não os Estados Unidos. Custam o valor de um bom automóvel, cerca de r$ 80 mil reais. A China não levou em conta nenhum compromisso, nem comercial e nem moral. Decidiu: “leva quem dá mais”.

Meu artigo ganhou asas.  Tenho fatos.  Correlacionar ações anti-comerciais e anti-éticas, com o meu tema. “A geopolítica Industrial do mundo não será a mesma após o Crona Vírus”, se a lógica prevalecer.

No mínimo, daqui por diante, as estratégias de desenvolvimento social e econômico de cada país ao redor do mundo, deverão levar em conta duas questões fundamentais:

1. Produzir, em seu próprio território, os produtos que são estratégicos para a sua sobrevivência, seja a que custo for.

2. As alianças econômicas com outros países deverão ser desenvolvidas com base em equilíbrio de interesses.

O que aconteceria com a China se o Brasil resolvesse embargar embarques de alimentos?

Se essa possibilidade de equilíbrio de forças não existir, significa que estamos numa posição de submissão, por definição.

É perda de tempo esperar que governos tenham sentimentos humanitários, principalmente levando em conta interesses de outras nações que não a sua.

A pirataria e a ganância apareceram no comércio exterior na semana passada. Esperar por grandeza e sentimentos nobres, no comércio internacional, é ingenuidade. Tudo fica “justificado por aceitarmos que a natureza humana, é mesmo assim, excessivamente egoísta, e que isso é natural”. Por decorrência, aceitar o inaceitável: a retórica predominante  do mais forte. Não fosse isso, o barulho e as consequências seriam de extrema indignação.

Voltando à geopolítica da produção industrial. Ela precisa ser revista; temos que aprender com as experiências ruins. Lógica do aprendizado. Os piratas e gananciosos do passado foram extintos dos cenários contemporâneos. Os piratas e gananciosos atuais precisam ser extintos no futuro. Não por força, mas por inteligência. Não podemos depender cegamente da boa vontade de quem quer que seja.

É muito alentador assistir a força de nossas universidades, dos nossos institutos de pesquisas, invisíveis em tempos normais. Agora se agigantaram perante nós brasileiros. Mostraram sua competência, abrangência e força.

Uma de nossas próximas prioridades, como cidadãos, deve ser demandar que os governos incentivem essas instituições. Passe a considerá-las entidades estratégicas, tão importantes como nossos exércitos.

Os gastos orçamentários precisam refletir essa percepção de importância. Pesquisa e Desenvolvimento, aportar recursos aos nossos Institutos  e às nossas Universidades envolvidas em P&D. Este conhecimento é moeda de troca, no momento em que interesses em conflito surgem nas negociações.

Ganharemos nova estatura no ranking mundial  de países relevantes,  seremos tratados com mais dignidade,  nos tratarão com mais respeito nos fóruns mundiais, e teremos a oportunidade de  abençoar outros povos, porque somos uma Nação Cristã;  é  quase inerente a nós  a Cultura de amar o próximo.

Que assim seja!

(escrito em 04 de abril de 2020)

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