Como Crescer num Ambiente Econômico Recessivo

Produtividade

No Brasil, deveríamos ter pela palavra produtividade um apreço tão intenso que nos levasse a evocá-la como um mantra, um canto, todos os dias, por todos nós, 206 milhões de brasileiros, a fim de sermos mais prósperos.

A palavra produtividade, fora do contexto técnico de domínio de engenheiros e economistas, pode ser definida como “fazer mais com menos”.

Como está na moda copiar e colar do Wikipedia, e isso rende muito dinheiro, vai aí uma pequena cola da palavra, extraída dessa enciclopédia eletrônica de domínio público:

“Produtividade é a expressão da eficiência de qualquer negócio. Para uma indústria, por exemplo, a produtividade está diretamente ligada à eficiência na produção”.

Os indicadores da produtividade de uma empresa estão relacionados ao processo de produção para geração de produtos ou serviços.

As falhas na produção quando corrigidas em tempo evitam prejuízos na produtividade.

Toda mãe que tem muitos filhos e pouco alimento para criá-los, sabe ser produtiva porque todos os dias transforma o pouco em muito.

Além de conseguir transformar “as sobras” em comidas muito gostosas.

Estão aí ícones como o “bolinho de arroz”, “o bolinho de chuva”, os “caldos” e os “minestrones”.

Estamos vivendo uma era de grandes restrições na economia nacional.

Nunca vivi uma crise tão difícil como esta do ano 2015, com perspectiva de ser longa, da qual vamos nos livrar somente a partir de 2018.

Isso se recuperarmos o juízo e a capacidade para superar os problemas político-econômicos nacionais.

Uma das ferramentas que podemos usar nessa reconstrução nacional é trazer às nossas práticas rotineiras e cotidianas e ao uso exaustivo, o conceito de produtividade.

Rever a forma como fazemos as coisas, buscando soluções que resultem em “fazer mais com menos”.

Nesse sentido, a forma como devemos pensar soluções para os sérios problemas que a crise atual nos impõe é seguir um roteiro que nos assegure um caminho de busca por soluções inovadoras e mais produtivas.

Ficou interessado? Então continue lendo para saber mais sobre:

  1. Seja inovador.
  2. Simule e quantifique as soluções às quais suas ideias conduzirem.
  3. Fique atento às obviedades. Não as valide sem uma severa contestação.
  4. Não aceite as restrições como obstáculos intransponíveis.
  5. Coloque diante de si objetivos claros e factíveis.

Simples mas muito eficiente.

1. O que é Inovar?

Um dos problemas mais recorrentes a que a crise nos leva é a diminuição dos mercados.

O desemprego, a inflação, as novas tributações que o Estado nos impõe para financiar suas improdutividades que nos levaram à crise, diminuem a renda disponível para o consumo e para o investimento.

Caem os volumes de vendas e os volumes de produção.

Qual a consequência óbvia dessa conjuntura? Falências e desempregos. Muita angústia e sofrimento.

Mas uma pergunta se impõe: esse quadro levará todos à falência e ao desemprego? A resposta é não.

Quem vai sobreviver?

Se há uma redução de 20% na renda disponível para o consumo e de 15% na renda disponível para o investimento, significa que existem rendas disponíveis remanescentes, de 80% para consumo e de 85% para o investimento.

Ou seja, a economia não parou de funcionar, está viva e em pleno funcionamento, embora limitada.

Isso por si só já é uma boa notícia.

Toda empresa/negócio tem uma equação matemática que a sustenta. Essa equação tem 7 variáveis e que são:

  1. Nível de faturamento mensal/anual previsível.
  2. Montante de custo fixo mensal/anual previsível.
  3. Índice de margem de contribuição sobre vendas.
  4. Ponto de equilíbrio entre custos e vendas, no qual o lucro é zero.
  5. Lucro mensal/anual sobre vendas.
  6. Capital aplicado na operação do negócio.
  7. Taxa de remuneração que a empresa/negócio gera com a operação.

Uma empresa é prospera quando essas variáveis estão equilibradas entre si e quando o mercado as sustente.

O que faz uma crise?

Rompe esse equilíbrio.

No caso da crise nacional de 2015/2018, fatores externos gerados pela situação política, principalmente, romperam o equilíbrio existente até 2014.

Portanto, o cenário político-econômico existente até 2014 foi violentamente alterado em 2015.

Assim, as empresas precisam ajustar suas respectivas equações a este novo cenário.

De um lado a crise nos parece imensa e insuperável, enquanto enfrentamos os problemas centrados em discursos e ideias soltas.

Do outro lado, se formos capazes de ordenar as ideias com metodologias de raciocínio que nos levem a conclusões quantificadas, a tarefa se resumirá em escolher a melhor alternativa disponível.

 A simples percepção de que há soluções possíveis e que existe uma forma de quantificá-las, já oferece um alento.

Nisso há uma inovação!

Deixar de pensar da forma costumeira, traídos que somos por hábitos e costumes que deram certo no passado, sem levarmos em conta que os cenários mudaram.

As inovações nascem em decorrência desse processo virtuoso de ordenar as ideias.

Porque ao enxergar as possíveis alternativas, as possíveis soluções tornam-se mais claras e perceptíveis.

Inaugura-se, então, um fluxo virtuoso de soluções e esperanças.

Enfim, para inovar é necessário enxergar os novos problemas que se impõem sob o ponto de vista de outras perspectivas.

As perspectivas antigas, se não resolvem, não é porque os problemas não têm solução, mas porque simplesmente as soluções não existem sob o ponto de vista das soluções conhecidas.

Mas podem ser resolvidas por novas ideias.

2. O que é Simular e quantificar as soluções às quais suas ideias conduzirem?

O equilíbrio em que a empresa estava no passado foi rompido pela crise.

Dentro da crise, novos números invadiram a equação, impuseram-se como dados fortuitos.

Isto é, não foram construídos pela gestão da empresa, vieram a reboque da crise,  impuseram-se para alimentar a perplexidade da gestão empresarial.

Esses novos números, filhos da crise, são bastardos.

Não são filhos da gestão, mas filhos da crise.

Os gestores não os reconhecem como legítimos. São estranhos no ninho.

Mas estão presentes, gostemos ou não. A tarefa aqui é acomodá-los para que o convívio com esses números seja virtuoso.

Filhos ilegítimos que jamais poderão ser assimilados, eles são o Prejuízo e as Insuficiências dos parâmetros de boa gestão financeiro-econômica.

As simulações e as quantificações são fundamentais nesse processo de busca de uma nova equação de equilíbrio econômico-financeiro para os negócios.

Mas isso é só o planejamento, que, no entanto, facilita sobremaneira a implementação, tendo em vista que as ações de trabalhos serão implementadas com mais objetividade e assertividade.

3. O que é ficar atento às obviedades? E não as validar sem uma severa contestação?

Sabemos que as mentiras continuamente repetidas ganham ares de verdade.

As soluções que por vezes se impõem como óbvias, são armadilhas perigosas.

Exemplo: a prática costumeira de enxergar os custos variáveis de uma empresa/negócio como sendo variáveis mesmo, ou seja, só variam em função dos volumes, não é uma verdade absoluta.

Muitos custos variáveis se transformam em custos fixos quando os volumes de produção são reduzidos abaixo de um determinado nível.

Não questionar isso, implica em deixar de lado uma fonte de improdutividade que pode inviabilizar um negócio.

Existem técnicas, inclusive aplicativos, que facilitam a sua implementação e que desnudam esse mito.

Outro mito: o volume de vendas da empresa/negócio não pode crescer num ambiente econômico-financeiro recessivo.

Podem crescer sim, exercitando outras perspectivas até então não consideradas.

As simulações e as quantificações exibem isso de forma surpreendentemente objetiva à medida que as ações impostas pelo planejamento vão sendo construídas.

Outra forma notória e pouco usual é abandonar as práticas costumeiras, ou seja, as de fazer sempre “mais do mesmo”, por um raciocínio mais conceitual.

Por exemplo, é possível reduzir os custos de produtos ou serviços controlados por monopólios?

A pura aceitação de que o monopólio resiste a tudo, não é verdadeira.

Existem exemplos notórios de monopólios desmantelados por gente criativa.

As crises produzem soluções inovadoras, porque nelas e dentro delas, as lutas se tornam mais definitivas: na escassez sempre haverá um perdedor e um ganhador.

4. O que é não aceitar as restrições como obstáculos intransponíveis?

Nós, hoje, brasileiros em crise econômico-financeira, vivemos uma situação inédita: criamos uma crise política para nos inviabilizar economicamente.

O preço é amargo: retrocedemos o país aos níveis de 2001, vamos levar uns 3 anos para corrigir os rumos, e recomeçar a crescer de forma sustentável apenas a partir de 2018.

Um desastre totalmente nosso, não temos a quem culpar pelas mazelas que nos impusemos.

 Esse retrocesso nos impõe novas e significativas restrições.

Sempre pensamos nas nossas soluções com foco no mercado interno.

No entanto, o mercado externo está à nossa disposição. Muitos dos países sul americanos estão crescendo e seus mercados estão acessíveis a nós.

Há pelo menos um outro Brasil ao nosso alcance.

Fronteiras próximas, taxa cambial favorável, isenção de impostos nas vendas externas, logística favorável, relacionamentos culturais amigáveis com esses países e, sobretudo, uma rede de contato e conexão muito eficaz, a Internet.

E tudo isso não exclui o resto do planeta.

Neste caso, não aceitar as restrições, significa ir a busca do mercado externo para completar a baixa demanda nacional.

Produtividade da mão de obra ocupada: os quadros funcionais nas empresas são na sua grande maioria de pessoas monofuncionais.

Quando há uma redução no volume de trabalho, a solução é sempre pelo lado mais doloroso: demissões de pessoas.

Uma forma de superar essa restrição cruel é estimular os funcionários a adquirirem e praticarem nas empresas atividades de multifunções.

Assim é que numa eventual dispensa, tais funcionários estariam em uma condição de funcionários com maior probabilidade de empregabilidade; portanto, na condição de serem os últimos a ficarem desempregados.

Nas empresas, funcionários multifuncionais que merecidamente deveriam ser melhor remunerados do que os não-funcionais, seriam recursos humanos mais produtivos do que vários funcionários monofuncionais, com ocupação funcional diminuída em função de baixos volumes de produção ou serviço.

Existem aplicativos de análise da produtividade da mão de obra direta, da mão de obra indireta e mesmo da mão de obra envolvida com a atividade de vendas, que permitem gerenciar esses conceitos sutis com a objetividade de análises quantificadas, assegurando um expressivo ganho de produtividade.

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